domingo, 1 de agosto de 2010

Oficina FBCU #1

Pensando em técnicas de ataque e de invasão: a Oficina Circuitos de vídeo - percepção, experiência e produção começou ontem à tarde na Rua Dois de Dezembro.
O próprio acesso do grupo à sala nos colocou uma das dimensões discutidas - temos que nos identificar com RG, CPF e apresentação do documento orginal, passar por uma catraca, e subir as escadas que conduzem a sala de reunião onde somos acompanhados pela presença silenciosa de duas câmeras.
Jimena mostrou uma pulseirinha de identificação à venda no Saara, e Poliana falou da síndrome do Vipismo - as pessoas podem até gostar de ser identificadas... Pensamos que uma ação de colocar pulseirinhas nas pessoas em um trecho da rua seria uma possibilidade para nossa performance. Átila lembrou do video em que Manu Luksch delimita no chão o espaço enquadrado por uma câmera. Pensamos que esta também é uma ação possível para performance.
Começamos falando sobre delimitações do espaço, fronteiras, grades, muros, permissão e acesso. Lembramos de obras de Raul Mourão e Kátia Maciel.
Falamos de como esta regulação da circulação no espaço público tem características diferentes em países Europeus e no Brasil por exemplo.
Falamos sobre a legislação inglesa, que permite que os cidadãos questionem as instâncias responsáveis pela gravação de imagens, permitindo inclusive que estes arquivos de vídeo sejam acessados por quem se achar, por direito, afetado pela gravação. Apresentei trabalhos de duas artistas que se valem deste dispositivo para criar obras inquietantes.
Falamos do lugar do artista na intervenção pública, como é chegar em um lugar, o que dizer deste lugar, como dizer, a quem dizer, qual o papel, a ética, o risco... Lucas contou uma experiência de ser atacado por um doido de rua, Canavarro lembrou do doc. sobre os suicidas da Golden Gate.
Mostrei muitos links, alguns trechos de filmes e apresentei a proposta:
Nosso objetivo no FBCU é a criação de um espetáculo audiovisual de até meia hora de duração.
Para a dramaturgia deste curta-metragem vamos partir de uma observação minuciosa do Largo do Machado e entorno, dividindo a turma em 04 grupos que irão mapear o território com câmeras, microfones, cadernetas, lápis, papel, olhos, ouvidos e narizes atentos.
Este banco de dados vai fornecer a matéria prima para a criação coletiva que vamos construir ao longo da semana, incorporando elementos do imaginário da praça, do cinema, do festival e da pesquisa do grupo da Dani Lima. Vamos construir, a partir da observação e ocupação do espaço, um novo território no Largo do Machado.

Tempestade de idéias.

3 comentários:

Dani Lima disse...

adorei a idéia de marcar o chão. Esta é uma boa estratégia de reconhecimento do espaço a usar e tb uma ação interessante do ponto de vista performático, tanto para quem está na praça quanto para quem está de cima, pressupõe que alguma coisa está por acontecer, cria uma moldura para as ações que pode ser uma operação de tornar visível alguma coisa simples e ordinária. Fiquei viajando em detalhes, me perguntando se este delimitar seria visível pela câmera ou não, fiquei achando que poderia ser interessante o ato de delimitar ser visível mas não a fita, que estaria nos limites do próprio enquadramento. pensei que isso poderia causar uma sensação interessante, uma perspectiva na qual eu ainda não tinha pensado, que seria perceber que uma ação está acontecendo mas não ser capaz de vê-la na íntegra pq parte dela está fora de quadro.

Tulio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Túlio Rosa disse...

Lembrei de uma performance do coletivo improviso chamada "Não olhe agora" onde eles brincam com essa idéia de emoldurar as ações. Essa idéia de simplesmente "apontar" uma ação cotidiana, banal, fazendo com que ela se torne vísivel sem ter necessariamente alguma coisa especial.